Autoridades ignoram diálogo e seguem com decisões unilaterais na fronteira

Autoridades ignoram diálogo e seguem com decisões unilaterais na fronteira
Ponte da Integração, ligação entre Brasil e Paraguai - foto: Roberto Dziura Jr/AEN
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Codefoz aponta que não há agenda macro sobre os gargalos que afetam o turismo, o comércio e a logística na região trinacional, mas espera abertura de canal para o amplo debate.

Mesmo após a formalização de protestos por entidades do turismo, da logística e do comércio, a ausência de diálogo institucional persiste da parte de agentes públicos responsáveis por solucionar demandas e gargalos. O resultado são decisões de cima para baixo, que ignoram a sociedade civil e suas representações, bem como os agentes que operam em setores econômicos motores do desenvolvimento da região trinacional.

A Comissão Mista Brasileiro-Paraguaia, em reunião no último dia 20, para tratar do fluxo de veículos entre os dois países, envolvendo Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Presidente Franco, mais uma vez impediu a participação da comunidade regional. As portas fechadas e a ausência de interlocução demonstram insensibilidade, intransigência e risco de novos erros, na avaliação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz).

“O Brasil tem à frente as relações exteriores nessa comissão, ditando decisões sem ouvir os segmentos diretamente impactados, que são o turismo, o comércio internacional, o transporte de cargas e a logística como um todo”, cobra o presidente do Codefoz, Marcelo Brito. “É necessário ouvir as cidades, o poder público local e as lideranças da sociedade civil”, completa.

Para o dirigente, enquanto as decisões governamentais sobre os gargalos fronteiriços seguirem sendo unilaterais, pontuais ou fatiadas, as cobranças permanecerão e as estruturas seguirão subaproveitadas. “Perguntaram à sociedade civil de Presidente Franco como pode ser usada da melhor forma a Ponte da Integração, respeitando as características daquela localidade? Ouviram a comunidade e os agentes socioeconômicos de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este sobre a melhoria do trânsito na Ponte da Amizade? Não. As decisões são de portas fechadas, de cima para baixo”, questiona Marcelo.

Na semana passada, o Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguaçu (Codetri), do qual o Codefoz faz parte, reuniu os segmentos do turismo, do comércio e da logística, deliberando por um posicionamento endereçado à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República do Brasil e a ministérios. No documento, as lideranças cobraram diálogo e abertura de uma agenda de discussões, além de protestarem contra medidas unilaterais que prejudicam a região trinacional. Antes, órgãos como o DNIT e o DER/PR foram acionados pelas pendências na Perimetral Leste.

Hiato institucional

Esse hiato institucional com a fronteira e, principalmente, com Foz do Iguaçu tem gerado decisões verticais e sem planejamento, afetando diretamente a região. As entidades da sociedade civil dos mais diferentes segmentos criticam o fato de órgãos estabelecerem normas sem ouvir quem atua diretamente nos setores impactados.

“Com isso, temos uma ponte internacional nova, mas sob restrições, com um modelo criticado por quem a utiliza, como caminhoneiros e transportadoras. A Perimetral Leste está cheia de obstruções em acessos, escura e perigosa, além de não atender ao seu objetivo principal, que é o uso pelo transporte de cargas”, elenca Marcelo. “Os problemas incluem a fila absurda na BR-277, entre Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, os transtornos na Avenida das Cataratas e, muito em breve, a ausência de acesso ao novo Porto Seco, que poderá inviabilizar a entrada de nossa cidade”, reforça.

O presidente do Codefoz, no entanto, reafirma que as lideranças e entidades esperam a abertura de diálogo. “Seguimos aguardando o retorno formal das comunicações que enviamos às autoridades do Brasil e a efetiva participação nas mesas de negociação e diálogos”, conclui Marcelo Brito.

Por ASSESSORIA


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